poéticas da paisagem

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Euler Sandeville, poesias 2009:

janeiro
poesia 2

um dia sem névoa
um sonho sem imagens
o mago e seus horrores
por todos os elementos derrama-se
e não encontra senão o impossível
que o acalma quando se promete
mas se desfaz em suas trevas
que turvam a visão

uma vida sem trégua
senão quando da montanha
sabe que perto esteve
e sem paz
ou poder
entrega-se e enfim
ao invisível anseia encontrar nas sombras

flutua no espaço como destino
flutua como folha no rio
como polem no ar
flutua como náufrago no mar que delira
ser de sal a alma ser de água e luz o corpo
ser frágil como a esperança que se parte
o futuro

em algum lugar muito distante ficaram as raízes
esqueceram-se as orações
e o desejo de verdade não mais pode abandonar o presente
agonizando em cada ato a dor de sua busca irremediável
e por fim os olhos embriagam-se de lágrimas
e a mente de consciência


Euler Sandeville Junior, São paulo, 06 de janeiro de 2009, 23:16








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