poéticas da paisagem

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Euler Sandeville, poesias 2009:

janeiro
poesia 1

Com toda a força que não posso
Caminho jornadas que não devo
Com toda a blindagem que escondo e forço
Derreto a alma no impossível de um beijo de único amor
Que é lembrança
Do que em mim arde
Primeiro
Arde o ardor que inquieta sem consciência da intensa dor

Aos que lêem vivendo o que lhes está oculto
Lhes faço como oferta um tecido tingido com cores errantes
Que custaram a um vulto conhecido apenas na intensidade dos poemas
Sabores impronunciáveis de algum sentido e nenhum valor
Em parte proibido-consentido em parte vivido em seu todo vestido como fonemas
Rasgando sua tessitura habitando na memória o presente
Declarando verdades que se resguardam como mentiras
E se entregam ao outro como destino
Que se revela no momento em que se intui
Sendo esse também exatamente
aquele em que se perde
no brilho em que se desfaz como estrela cadente
do beijo no canto da praça
e ninguém sabe
o que nasce na raça que persiste e se entrega
ao invisível do seu ser um futuro que passa
sem promessa de segurança
a maior certeza


Euler Sandeville Jr., São Paulo, 01 de janeiro de 2009








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