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Euler Sandeville, poesias 2009: abril poesia 24
se um homem ao dizer tudo o que tem a dizer
fizer sofrer tanto quanto ele mesmo sofrerá se não disser se um homem calar-se já não é o que é e se falar arrisca-se a aprisionar-se aos limites estreitos que tanto quer transcender mas calar-se também é negar ao amanhã a opção de fazer livre quem desconhece a razão que viveu o que sabe o que vê o que guarda o que não se revela se não quer o ouvinte ouvir de si o outro lado lado distante na escuridão de si a que se entrega lado em tensão com a mentira em que se aquieta no silêncio da alma o custo do ganho ao preço da vingança o caminho covarde mais fácil então o homem que se cala no tempo julga que o silêncio que constrói e protege quem nada sabe um dia faltará a esse para entender sua dor para desfazer o que lhe roubaram e lhe fazer saber que foi amado e por ser amado melhor seria não poder ver mas então reproduziria os mesmos limites que o silêncio impôs os relatos ao emudecimento então se decide pela dor maior de relatar para não roubar a quem ama a liberdade de um dia quiçá ser livre Euler Sandeville Junior, São Paulo, 13/04/2009, 04:04 |
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